O ano em que ganhei o NaNoWriMo

Este post está terrivelmente atrasado. Para ser mais exato, oitenta e dois dias atrasado. O NaNoWriMo, como você deveria saber, ocorre em novembro. Acontece que este blog é atualizado quando bem entendo, então esses oitenta dias não querem dizer muita coisa. Acho.

Ano passado consegui enfim ganhar o NaNoWriMo. Com “ganhar” quero dizer que consegui completar a peripécia de escrever um livro de no mínimo 50000 palavras durante o mês de novembro. Pois é, eu consegui, e não só consegui, como também ultrapassei essa meta em 110 palavras. Uau. 50110 palavras (de acordo com o Scrivener, já que o contador do NaNoWriMo contou 1707 palavras a mais). Hold on to your hat, Tio Martin!

Diferentemente de 2014, onde comecei o dia 1º de novembro com um planejamento mais ou menos completo sobre a história de elfos vs. humanos que pretendia contar (mais clichê que isso, impossível), no ano passado eu fui livre, leve e solto para o início do evento. Não tinha a mínima ideia do que iria escrever, nadica de nada. Na noite do primeiro dia de novembro, simplesmente abri um projeto novo no maravilhoso Scrivener e comecei a escrever os primeiros parágrafos dessa história que até agora não sei bem do que se trata.

Novembro do ano passado (2015, caso você seja um robô e esteja lendo isto quando a humanidade enfim sucumbiu diante dos avanços da inteligência artificial, por volta de 2133) foi um mês meio complicado pra mim. Fim de semestre na faculdade, com trocentos trabalhos para finalizar e outros vários para começar, sem contar com o estágio que faço à tarde. Parecia ridículo começar uma empreitada como o NaNoWriMo num ano tão cheio como 2015 foi para mim. Poxa, se em 2014 eu não fazia quase nada além de estudar (fim do Ensino Médio, onde já estava de saco cheio da escola e quase não estudava de fato, veja bem) e não consegui, seria impossível conseguir justamente no ano em que estava trabalhando e estudando, não é mesmo? Bem, jovem padawan, ambos estávamos errados. Se fosse do tipo de pessoa que usa expressões como “sambar” e “top” em seu vocabulário corriqueiro, diria que “sambei na cara da sociedade” quando tinha um manuscrito pronto no dia 30 de novembro. E acho que fiz mais ou menos isso mesmo.

Eu escrevi cada página desse livro num torpor meio estranho. Se você me perguntar sobre o que é a minha história, o máximo que tenho a dizer é a resposta genérica que dou para todos os que já me perguntaram: “é uma história sobre um cara que fica travado numa espécie de loop temporal”. Plot extremamente promissor, só que ao contrário. Até o momento em que publiquei este post, só tinha lido o primeiro capítulo da minha história, e o resto continuava a ser redescoberto. Outro dia estava imprimindo as duzentas páginas aqui em casa e juro pra vocês que tomei spoiler da minha própria história. Sério. Eu li uma frase aleatória lá pelas últimas páginas e fiquei surpreso com uma determinada descoberta do personagem. Realmente não me lembrava daquele detalhe em particular e, modéstia à parte, fiquei surpreso com a qualidade da escrita, ainda que tenha simplesmente vomitado as palavras durante novembro, sem um senso crítico me acompanhando.

Agora escrevo isto para dizer que, como eu sou eu e nunca deixarei de ser eu mesmo (alerta de frase confusa), ainda que tenha terminado o primeiro manuscrito ever da minha vida (não estou contando os meus sensacionais roteiros escritos quando tinha nove/dez anos), estou agora procrastinando para revisá-lo. Para começar, tenho de ao menos reler a história e, como disse ali em cima, nem passei do primeiro capítulo. Cheguei à conclusão de que nasci para procrastinar.

O que importa é que sim, enfim realizei a primeira parte do meu sonho de infância! Um abraço para o Gabriel de setembro que estava reclamando que nunca tinha conseguido escrever um romance até o final. Depois de revisar, revisar e revisar por uma terceira vez, pode ser que publique essa maravilha algum dia. Só de pensar nisso já fico bem animado, ainda seja difícil tirar a preguiça de lado e começar a bendita revisão.

Isso significa que qualquer um com força de vontade pode conquistar um desafio tão interessante quanto escrever um livro inteiro (o primeiro rascunho, ao menos) em míseros trinta dias, ainda que esteja trabalhando, estudando e fazendo, sei lá, aulas de dança de salão todas as segundas e quartas. Essa desculpinha barata de “ah, mas eu tenho a faculdade…” não cola mais. Eu até disse isso a mim mesmo no meio do desafio, quando praticamente desisti do NaNoWriMo e abandonei o navio por oito dias (como você pode ver na imagem abaixo), mas resolvi tomar vergonha na cara e digitar feito um louco para voltar ao ritmo nos últimos dias.

Esta imagem representa foco, força e fé. Perceba a correria dos últimos dias.

Esta imagem representa foco, força e fé. Perceba a correria dos últimos dias.

No fim das contas, valeu muito a pena. Ainda que tenha escrito boa parte das 50000 palavras com tanto sono que mal sabia o que estava fazendo, e tenha inserido na história personagens que certamente sairão de cena na revisão e que serviram apenas de muleta para o enredo caminhar, é fascinante saber que eu, o cara mais procrastinador do mundo, escrevi um livro inteiro, e que “O Apanhador de Almas” (que nome profundo e poético, não é mesmo?) tem alguma chance de ser publicado um dia. É uma sensação de trabalho cumprido que nenhum dinheiro pode oferecer (ou pode, se for uma quantia considerável, mas você me entendeu).

Foco, força e fé

E ainda ganhei um certificado bonitinho, olha só

Agora só falta plantar uma árvore e ter um filho. Espera, acho que já plantei uma árvore numa ação que teve aqui perto de casa há uns nove anos atrás… Nesse caso, só falta o filho.

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