Sobre escrever…

Sabe, acho que sempre quis ser um escritor. Por algum motivo do além, sempre tive esse ímpeto de observar pessoas, lugares e criar histórias para elas. Sempre. Não que as histórias sejam criativas – longe disso –, mas ao menos são histórias.

Por mais que me sinta frustrado em nunca terminar de escrever meu livro (que já teve alguns reboots desde esse post), eu amo escrever. Nunca fui muito bom em expressar o que penso verbalmente às outras pessoas; geralmente falo rápido demais ou me embolo todo quando o faço. Quando resolvo escrever, as palavras simplesmente fluem à minha frente… mesmo que sejam descartadas logo em seguida. 

Na maior parte das vezes, porém, eu não sei o que escrever. Sei que quero escrever, estou “inspirado” (mesmo não acreditando que a inspiração, de fato, existe), mas às vezes tudo o que sai são algumas palavras desconexas, alguns rascunhos neste blog e/ou alguns parágrafos excluídos do meu livro.

Eu não sei exatamente o porquê quero ser um escritor se não sei o que colocar no papel. Só sei que um dos meus prazeres é escrever. Seja o que for.

É irônico, pra mim, achar as pessoas tão interessantes. Até pouco tempo atrás era um semi-antissocial, avesso a quase todas as conversas-que-não-vão-a-lugar-algum, aqueles lenga-lengas do cotidiano. Preferia me trancar no quarto e fazer coisas tão úteis quanto abrir este blog (que completou quatro anos em julho e eu me esqueci completamente!) ou reclamar da vida no Twitter. Hoje em dia, o quadro se reverteu. Eu gosto de ouvir as pessoas conversando, gosto de ouvir suas ideias sobre o mundo, por mais entreouvidas que sejam. Me fascino em ter acesso às suas “versões da história”.

Acho que é por isso que amo tanto escrever e tenho esse desejo maluco de me tornar um escritor um dia, mas nem ao menos um livro eu consigo terminar. Como posso querer me tornar um escritor quando reescrevo a mesma história uma vez atrás da outra e ela parece não engatar?

Sabe, escrever me acalma. Outro dia precisava tomar uma decisão importante e não sabia o que fazer. Arranquei uma folha do caderno e comecei a escrever exatamente o que estava pensando. Como um diário; igual mas diferente. Fui rabiscando a folha toda com ideias incompletas, dúvidas e anseios imaturos, perguntas direcionadas a ninguém em especial, fadadas ao destino de nunca serem respondidas. Mas aquilo me acalmou. Após aqueles minutos escrevendo sentenças soltas na folha de papel, me senti mais confiante sobre a tal decisão que tinha de tomar. As dúvidas deixaram minha mente. Foram gravadas no papel e mandadas embora pela lata de lixo.

Tenho uma relação de amor e ódio com a escrita. Amo escrever, mas me sinto muito frustrado por não terminar o que começo. Não terminar os livros que começo. Meus personagens estão lá, só me esperando para continuar suas jornadas.

A única coisa que tenho certeza sobre a escrita é que eu preciso me manter escrevendo. É uma necessidade, mesmo que não aconteça com a frequência que eu gostaria. De tempos em tempos, preciso dar uma parada e escrever. Traduzir meus pensamentos em texto, passar pelas entrelinhas de uma história o que estou sentindo naquele momento.

A escrita é como uma terapia, uma forma de descansar a cabeça forçando-a a pensar. É quase um paradoxo. Um paradoxo que amo.

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6 comentários sobre “Sobre escrever…

  1. Eu ainda estou no aguardo de você terminar esse livro.. to vendo que só quando eu estiver velho e gagá que vou receber a minha cópia autografada que pedi hahaha

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