Diário de Escrita #14: E se começarmos tudo de novo?

Eu tenho pensado muito sobre o meu livro na última semana. Havia abandonado-o de verdade desde janeiro, praticamente, escrevendo pouquíssimas vezes nesses seis meses que se passaram desde então. Cheguei num ponto em que não fazia ideia para onde a história iria seguir, como ela chegaria até o final que havia planejado pra jornada de meus personagens. Daí ficava com preguiça de continuar, já que não conseguia prosseguir.

Até que resolvi voltar a escrever na semana passada, ou ao menos reler tudo o que escrevi até aqui pra retomar o “fio da meada” e continuar a história de onde parei. Mas daí comecei a pensar em outra coisa: e se voltássemos do começo? No sentido de apagar tudo e voltar do início, reescrevendo todas as 240 páginas que escrevi até aqui. Será que seria uma boa?

Eu não esperava que a história do livro tomaria os rumos que ela tomou. Quem me acompanha desde janeiro do ano passado, deve se lembrar de que a ideia de escrever um livro veio de um único parágrafo que havia escrito sem compromisso e achado interessante. Não havia feito um planejamento propriamente dito, com listas de personagens, seus trejeitos e etc., ou uma lista de eventos principais que deveriam ocorrer durante a história. Foi tudo acontecendo meio que naturalmente: eu ia escrevendo e as ideias iam aflorando. O problema foi quando elas começaram a entrar em conflito entre si, deixando trechos imensos inconsistentes ou alterando subitamente a motivação de certos personagens. Tinha horas que parava e me perguntava “pra onde tô indo com essa história, caramba?”.

Os eventos do livro a partir de um super mind map feito pelo programa Scapple. Note o tanto de balõezinhos que se conectam entre si. MEU DEUS.

Os eventos do livro a partir de um super mind map feito pelo programa Scapple. Note o tanto de balõezinhos que se conectam entre si. MEU DEUS.

Tenho pensado em fazer um super “reboot” do meu livro até aqui pra justamente ajustar essas inconsistências e deixar a história menos confusa. Desenvolver mais os meus personagens. E, talvez, alterar o ponto de vista ou até mesmo o tempo verbal. Descobri que escrever em primeira pessoa dá uma certa dificuldade para revelar certos detalhes do universo em que a história se passa sem transformar um ou outro personagem num sabe-tudo exagerado. E também fiz alguns “testes” com pequenas histórias em terceira pessoa e tive a ligeira impressão de que escrever a partir deste ponto de vista ajuda a história a fluir muito melhor. Pode ser impressão minha, é claro. Também comecei a pensar em alterar o tempo verbal; escrever no presente também dificulta um pouco as coisas, me impossibilitando de fazer algumas super-e-incríveis viagens para as memórias dos personagens sem confundir muito o leitor.

Por outro lado, dá uma dor no coração mesmo pensar ignorar tudo o que escrevi até aqui e recomeçar do zero. Reescrever toda a jornada sofrida que meus queridos personagens tiveram de experienciar para chegar até aqui. Claro que não “trocaria” a história, só a deixaria mais densa, funcional e, de certa forma, melhor.

Bem, ainda tenho muito a pensar. Ainda tenho de reler tudo o que escrevi até aqui pra ver o que faço (afinal, 85 mil palavras é algo para se orgulhar, não é mesmo?), mas realmente estou pendendo para a opção de começar tudo de novo. Muitos escritores fizeram isso com suas obras, então por que não poderia fazer algo assim também?

Alguém tem algo a dizer sobre isso? Eu gosto quando vocês comentam, sabe…

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8 comentários sobre “Diário de Escrita #14: E se começarmos tudo de novo?

  1. Entrei no seu blog pela primeira vez e estou em uma situação similar… e então você decidiu reescrever ou deixou como estava?

    • Oi, Tiago!

      Bem, cara, eu comecei a reescrever. Daí achei o que tinha reescrito uma bosta, e larguei o projeto até junho deste ano, quando comecei a reescrever o que estava reescrito. Só que comecei a faculdade e logo depois veio uma oportunidade de trabalho, daí meio que abandonei o “2º reboot” desde então, mas estava gostando muito dos rumos que as coisas estavam tomando! Sei lá, acho que cansei da história que estava bolando e vou deixá-la na geladeira por um tempo. Stephen King fez isso, então por que não eu? 😛

      Resolvi participar do NaNoWriMo deste ano e dar uma chance a outra história que tem me incomodado bastante há um tempo. Vai que consigo desta vez?

      Obrigado pelo comentário, cara, e boa sorte!

  2. Se você acredita estar mais maduro e que isto irá refletir nos seus textos então manda bala e comece tudo do zero! Se tem consciência de que pode entregar algo melhor para as pessoas não entregue algo do que poderá se arrepender depois.

    Pensando pelo lado de que amadurecemos constantemente (assim espero), se ficar pensando muito sempre irá querer voltar ao zero, então na minha opinião a medida para seu livro é ele estar BOM O SUFICIENTE para ser entregue aos leitores.

  3. Se isso tornar o processo criativo ainda melhor faça sem pensar duas vezes! Apesar do que os capítulos que lí estão ótimos, sempre me deixando com um gostinho de ‘quero mais’, se parar pra pensar os bons livros ter essa característica =]

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