Desventuras Hospitalísticas – Parte III (Final)

Vejamos onde parei na última parte desta emocionante saga, que já tem mais de um mês da data de postagem. Desculpem-me! Caso você seja um visitante novo, primeiramente gostaria de te agradecer por estar lendo isso aqui; acredito que meus textos são tão chatos quanto as coisas que eu critico nesta joça (como o Funk, por exemplo). Mas é isso, seja bem vindo e, para entender sobre o quê este texto vai se tratar, leia as últimas duas partes (aqui e aqui).

Se você já é um visitante “assíduo”, mas não leu os posts anteriores à este, mesma recomendação e links que dei pros visitantes novos.

Ok. Vou fazer uma rápida recapitulação de tudo que contei nos últimos posts: eu havia pego faringite aguda, e minha garganta doía como se eu tivesse comido um canivete suíço aberto. Minha febre era tão alta que alguém poderia muito bem fritar um ovo em minhas costas, somada ao fato de que eu estava tão roxo como uma berinjela e tremia feito um vibracall. Até aí, tudo “bem”. Minha mãe, meu pai, e eu fomos ao hospital (particular, que mais parecia público – digno de reportagem do jornal das oito) pra ver do que aquilo tudo se tratava, e lá descobrimos que precisaria tomar uma injeção na jugular para tentar baixar a febre.

Depois dessa recapitulação que com certeza deixou você, que não leu os outros posts, extremamente curioso, posso continuar, enfim, minha história.

Mas antes deixa eu checar esse band-aid que tá enchendo o meu saco aqui (machuquei o dedão do meu pé). Pronto. Tudo em ordem, let’s go.

Eu já estava ficando cansado – e irritado – de tanto tremer, e aquela médica (que realmente precisa fazer um curso de informática pra aprender a digitar feito gente) não tava ajudando muito o meu humor. Naquele momento, já nem prestava atenção no mundo ao meu redor; só pensava em uma coisa: “Tomara que me deem essa injeção logo. Preciso ir pra casa jogar Bátima”.

Tá, você pode (e deve) estar achando que sou um viciado, e isso eu não posso negar, porque estou quase morrendo e tô pensando apenas em chegar em casa e jogar a porcaria do game do Batman. Bem, havia tomado tantos medicamentos que acho injusto julgar minha sanidade naquele momento.

A médica finalmente termina o pedido da injeção, e nos encaminha para uma área onde se aplicam as injeções (não me diga!), que agora esqueci o nome específico.

Caminhamos até lá, eu tremendo e minha mãe com uma cara mais preocupada que o de costume, onde uma enfermeira me indica a salinha onde eu devia ficar até alguém me aplicar a bendita injeção. Quando me viro, me deparo com uma sala mais lotada que o busão pro meu bairro em horário de pico. Imagine a cena: um bando de pessoas com uma expressão que só de lembrar me dá uma tristeza imensa, deitados precariamente naquelas cadeiras inclináveis verdes e provavelmente tão sujas que você poderia pegar facilmente uma DST aleatória. Ok, aqui estou eu exagerando novamente. Tanto faz.

Abismado com a situação, penso: “é agora que vou morrer mesmo, não tem nenhum lugar pra ficar! Já era. Tchau mamãe, tchau papai, e tchau jogo do Batman – é hoje que morro derretido”. Então, como uma garrafa d’água num deserto, percebo que à minha direita há uma outra salinha, onde não tem ninguém e, portanto, há cadeiras inclináveis imundas disponíveis! YAY! Após este breve momento de felicidade interior, me lembro que ainda estou tremendo, e que minha febre insiste em não baixar. Naquela hora até havia esquecido da minha dor de garganta, haja vista o tanto que estava sofrendo.

Minha mãe me guia até uma das cadeiras inclináveis e fica me observando, em pé. Há uma outra cadeira inclinável à minha esquerda, mas ela insiste em ficar olhando para minha cara. Só depois de muita insistência minha que ela decide se sentar. Esperamos por alguns minutos – o que pra mim pareceu uma eternidade –, até a enfermeira chegar com uma seringa e uma agulha ENORME.

Imagine que era uma deste tipo, porém 354 vezes maior.

Ela pede para eu esticar meu braço, e começa a averiguar minhas veias. Depois de algum tempo, a expressão dela passa de confiante para confusa e vice-versa, até ela decidir revelar para nós o que estava de errado. Ela olha para minha querida mamãe, e fala que não estava encontrando uma boa veia para aplicar a injeção, já que estava tão roxo quanto o Barney, como mencionei no post anterior. Então, ela sai da salinha, alegando que chamaria um outro enfermeiro para, finalmente, me aplicar a injeção.

O enfermeiro chega e, observando o quão preocupada minha mãe está, diz para ela se acalmar, que é só questão de tempo até que eu esteja fora dessa. Então ele procura em meu braço uma boa veia, e só depois de algum tempo percebo que tenho uma agulha enorme enfiada em meu braço, e um líquido amarelo-xixi está entrando em mim, deixando o “caminho” em que ele passa gelado. Não me lembro o nome dos medicamentos que haviam dentro daquela seringa, mas se não me falha a memória (já tem mais de dois meses que isso aconteceu, povo. Dá um tempo!), era Novalgina com sei lá o quê, sei lá, vaselina?.

E então ficamos esperando a febre baixar por mais TRÊS HORAS. Você não leu errado, ficamos lá esperando por três horas até finalmente minha temperatura começar a cair, lentamente. Durante esse tempo, em momentos esporádicos, vinha alguma enfermeira colocar algodão com álcool em baixo das minhas ~axilas~. Teve uma hora que tive de tomar outro Tylenol, porque a febre não queria baixar, mesmo depois disso tudo.

Conclusão: entramos por volta das 16h30min no hospital, e só saímos às 22h. Depois de todo esse tempo na salinha, ainda tivemos de realizar uma rápida consulta com outro médico (a médica-galinha – se é que você me entende – havia trocado de plantão um pouco antes), e lá ele me prescreveu um bando de remédios, que juntos custavam mais que o nosso carro!

Só sei que naquele dia não pude jogar o game do Bátima. Trágico.

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2 comentários sobre “Desventuras Hospitalísticas – Parte III (Final)

  1. KKKKKKKKKKKKKKKK!!!!! Só você mesmo para contar algo tão preocupante para mim me fazendo rir. Graças a Deus saiu tudo bem, e não era vaselina na seringa não era novalgima +tylatil, aiaiaiai. Te amo meu herói!!!!

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