Desventuras Hospitalísticas – Parte II

Sim, eu me atrasei de novo. Minha ideia era trazer cada parte desta grande e maravilhosa série a cada semana, mas como vocês puderam perceber, não consegui. Já faz mais de duas semanas do dia em que postei a primeira parte, duas semanas desde o último post neste blog. Caramba, tô realmente abandonando isso aqui. Culpem o meu super – e “bem-sucedido” – canal no YouTube.

Mas vamos ao que interessa: a continuação de minhas desventuras em minha última ida ao hospital (“última” tecnicamente; tô tendo que ir quase toda semana à alguma consulta, pra checar o meu estado de saúde, etc., etc..).

Parei na parte em que, após uma hora esperando no saguão do hospital (um parêntese aqui: “saguão” é uma palavra engraçada, não é? Fale agora para si mesmo: “SA-GUÃO”. Sentiu?), finalmente o médico disponível – no caso, a médica – chama meu nome, e eu e minha querida progenitora a seguimos até sua sala. Se você não leu a primeira parte desta “série” e tem preguiça o suficiente para não querer rolar esta página até chegar no último post, clique aqui para o ler (e entender o que tá rolando no baguio louco).

Após umas perguntinhas do “procedimento padrão” (haha, essa é a melhor expressão que existe), a tal médica manda eu abrir a goela (tá, eu sei que essa expressão tá errada. A correta é “abrir a boca”, mas eu quero criar ênfase na situação. Que que é, virou professor de português agora?), pra ela analisar a situação e ver se não estou com algum tipo de tumor (tá repreendido) na garganta ou algo do tipo.

Com uma expressão meio duvidosa, meio “Ahá! Todos esses anos como médica me renderam uma visão aguçada, e tenho certeza de que este garoto aqui está com a doença X!”, a doutora analisa minha garganta de forma agoniante, já que estou com um palito de picolé enfiado no meio da garganta, com toda aquela corrente de ar entrando justamente no meu órgão vocal. Isso sem contar a febre, que naquele momento era tão alta que me fazia tremer como se estivesse dançando, nu, no inverno congelante da Rússia. Ah, também estava roxo como o Barney. Sim, este Barney:

“Ah, mas Gabriel, o Barney não é roxo!” – Vá caçar um véi.

Continuando.

Para minha alegria, a médica retira o palito de minha boca, e volta à sua cadeira. Assim que se senta, olha séria e fixamente para mim e minha mãe, alternadamente, por alguns segundos. Então, ela fala as duas palavrinhas que definirão a doença em que eu estava passando naquele momento: “faringite aguda”.

“Bem, se é aguda é porque o bagui tá definitivamente louco”, pensei, enquanto tremia como um… bem, como uma britadeira em sua velocidade máxima. Então a médica começa a digitar em seu computador a receita com os remédios de que precisarei utilizar pelas próximas semanas (e que meus pais, muito provavelmente, precisarão vender o carro pra comprá-los). Um adendo aqui: mais alguém aí já percebeu que todo médico que utiliza o computador como ferramenta de trabalho (quase todos, hoje em dia) digita como se estivesse catando milho? Sério, nunca vi, até hoje, nenhum médico que digitasse, ao menos, decentemente. Eu me irrito com essas coisas, rapaz.

Então.

A doutora termina de digitar a receitinha (após aproximadamente cinco minutos de tortura visual: eu a vendo digitar cada letrinha separadamente, como se digitar fizesse com que o teclado quebrasse, ou então como se ela tivesse acabado de comprar o teclado, e este custasse uma fortuna), e a manda pra impressora – impressora esta, diga-se de passagem, que faz um barulho tão alto como a tal britadeira de que falei lá em cima. Ela indica pra minha mãe o antibiótico caríssimo que terei de tomar pelos próximos dias, e então me revela algo que eu já esperava lá no fundo (não, não é aquela injeção na jugular de que falei na última parte): eu teria de tomar uma injeção (hehe) para tentar baixar a febre.

Neste momento, minha mãe arregala os olhos tal como aquela mulher que tinha (ou tem) o recorde da maior projeção ocular do mundo, de acordo com o Guinness. Essa daqui, ó:

Tá poxa.

Você sabe como toda mãe é, caro leitor. Ela não quer ver sua “cria” em, digamos, “apuros”. Então, foi algo completamente normal eu ver minha querida mamãe tendo uma reação como esta na hora em que a médica falou da minha necessidade de tomar uma injeção (não na jugular, é claro). Então, minha progenitora, ainda aturdida com a revelação da doutora, para por uns segundos, e depois vira pra mim (que naquele momento, estava tremendo na cadeira como se estivesse num terremoto, e tão roxo quanto uma berinjela). Ela me olha atenciosamente, e vira pra médica, perguntando se uma injeção era realmente algo necessário.

Vou te contar uma coisa agora. Naquele momento, eu não tava prestando muita atenção no que aconteceria comigo, só queria uma solução. Todos os meus músculos já estavam contraídos de tanto tremer quanto uma pessoa com um “vibracall”  inserido no corpo. Não importa se teria de levar uma injeção no braço ou na jugular, só queria passar logo de tudo isso, e ir pra casa jogar o game do Batman. Então, se uma injeção era algo que fizesse com que a febre, enfim, baixasse, não tinha dúvidas de que era isso que eu queria. Mas não o que minha mãe queria.

A médica diz pra minha mãe que tem outro jeito, sim, pra baixar a febre, mas demoraria mais. A maneira mais rápida de eu melhorar disso era com a bendita injeção. Viro pra mamãe e falo (ou tento, já que estou tremendo tanto): “N-n-não t-t-te-tem pro-pr-problema-ma, m-m-mãe. E-eu t-tomo l-lo-logo es-es-essa inje-je-jeção”. Ela me olha mais um pouco, provavelmente pensando nas probabilidades, e concorda comigo. A médica, então, escreve novamente no computador (mais cinco minutos digitando como uma galinha catando milho), e imprime uma espécie de pedido pra tal injeção.

E, então, nos encaminhamos para a enfermaria, a fim de tomar essa injeção e tudo acabar logo. Ah, e claro, eu poderia ir pra casa jogar o game do Bátima.

O resto da história, você só saberá na última e emocionante parte desta saga. Fiquem ligados! 😀

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3 comentários sobre “Desventuras Hospitalísticas – Parte II

  1. Muito bom!!!!! Muito bom, mesmo!!!! Grande escritor este menino. Tu vai longe, podes escrever com caneta de ouro!!!!!
    PARABÉNS!!!!! DEUS TE ABENÇOE!!!!

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