Desventuras Hospitalísticas – Parte I

Antes de começar este post, tenho uma coisa pra vocês:

Vá aos 1:13, é a parte onde realmente interessa.

Isso aí, meus assíduos visitantes. O Apple Boyster está de volta, firme e forte. Queria até falar aquela clássica frase de quando algum produto tem sua versão atualizada, algo que aqui se encaixaria como “Mais bonito, Mais rápido, Mais atualizado”, mas acho que não combinaria muito bem com a realidade do blog. A esta altura vocês já devem saber que eu não sou muito bom com datas e tal. Mas chega de enrolação.

Nesta série curta de 3 posts (é um número provisório), contarei a vocês o que passei durante algumas horas num hospital aqui de Brasília, enquanto faltava muito pouco pro meus órgãos derreterem, dada aos vários graus da febre que vivenciava. Contarei também dos medicamentos na veia que levei, e das várias tentativas de baixar a minha febre. Tudo isso em menos de 24 horas. Pois é. Você deveria agradecer por eu estar escrevendo este post agora.

Tudo começou numa sexta-feira, dia 6 de julho. Aparentemente “do nada”, eu acordo com uma típica dor de garganta. Uma dor chata, mas nem tão alarmante que me fizesse berrar de dor até perder a voz. Tudo bem até aí. Me levanto, cambaleante, trato de minhas ~necessidades matinais~ (você sabe: escovar os dentes pra tirar o mal-hálito de boi, esvaziar a “aguinha” que está presa na sua bexiga há horas, etc., etc.) e vou tomar meu café da manhã.

Nesse meio tempo, noto que estou com uma “moleza” diferente da que sentimos quando acordamos (aquela típica sensação de: “Ah, que droga, hoje ainda tem escola/trabalho/whatever”). Falo com minha mãe sobre minha garganta estar doendo novamente (segunda vez em menos de um mês), e esta já me dá um olhar preocupado, e diz pra eu começar com o intenso tratamento “gargantil”. Nossa, que expressões ridículas são essas que tô usando hoje? Eu, hein! E, como eu notei que estava mais mole que de costume, fico neurótico e procuro o termômetro. Não deu outra: já estava em estado febril.

“Tudo bem, Gabriel. É só uma febrezinha normal. Tu deve ter pego uma virose qualquer, pra variar”, pensei, enquanto minha pobre mãe me olhava com um olhar mais preocupado do que antes, provavelmente pensando que eu acabava de estragar seu dia. “Estragar o dia dela?”, você pode estar se perguntando. Antes de continuar com esta linda história envolvendo altas temperaturas de febre e órgãos internos semi-derretidos, quero que saiba algo sobre este que vos fala. Eu devo ser muito sensível com doenças, pois qualquer coisinha eu já fico com febre. E quando digo “qualquer coisinha”, quero dizer qualquer coisa mesmo. Não sei se isso é bom ou ruim, mas tudo bem. Com essa minha sensibilidade à corpos estranhos em meu corpo, as febres que tenho, na maioria das vezes, são altas e muito difíceis de se abaixar. Para minha mãe, tadinha, isso era um pesadelo. Ela fica muito preocupada quando ficamos doentes (eu e minhas duas irmãs chatas), por alguns motivos pessoais que não comentarei aqui (haha).

Continuando.

Falo pra ela que tá tudo bem, que devo estar assim por causa das malucas mudanças de tempo aqui em Brasília (nós, brasilienses/candangos, até hoje não nos acostumamos a acordar num dia quente e, quando chega a hora de voltar pra casa do trabalho, tá um frio que pode causar hipotermia nos menos desavisados), que geralmente aumentam bastante no inverno, e começo a me entupir de própolis na garganta (eca) e engolir consecutivas pastilhas Valda, além de balas de gengibre e o próprio gengibre picotado em pedaços (rapaz, eu odeio ficar com a garganta doendo. Faço de tudo pra passar essa dor o mais rápido possível). O engraçado é que não sentia alívio algum quando engolia estes “anti-gargantais” (vou parar com essas expressões, prometo), o que era estranho (normalmente essa bomba combinada fazia eu me sentir melhor instantaneamente) e podia significar uma coisa: infecção.

E tinha mais uma coisa: a febre estava aumentando, e rápido. De 37,3 ºC, que foi a minha primeira medição do dia, a febre já tava chegando à casa dos 38 ºC, o que era ruim. Bem ruim.

À medida que o tempo ia passando e eu ia me entupindo de medicamentos (caseiros ou não) contra a maldita dor de garganta, a minha febre ia só aumentando. Então, mais ou menos às 15h da tarde, após vários banhos e tentativas falhas de baixar a febre, minha mãe decide que não há outro jeito de abaixar esse troço, senão me levar ao hospital. A esta altura, eu já queria mesmo tomar uns cinco antibióticos diferentes não só numa simples veia, mas logo na jugular. E então fomos ao bendito hospital.

Chegando lá, adentramos a sala de espera e faço uma rápida (e talvez involuntária) nota mental: ou estamos no fim do mundo, ou os hospitais particulares não estão aguentando mais a pressão de tantos pacientes, porque isto aqui – pensei, apontando que nem um doente mental para o cenário digno de filmes apocalípticos à minha volta – tá mais pra hospital público do que particular.

Tente-se colocar na minha situação, caro leitor. Meus órgãos internos já deviam de estar entrando no ponto de ebulição, em um estado meio sólido-líquido, com a minha febre alta. Minha garganta doía como se eu tivesse comido canivetes suíços abertos com molho de parafusos no jantar, noite passada. Dá pra notar que não estava me sentindo tão bem assim. Agora some isso tudo ao fato de que o hospital estava tão cheio que me sentia dentro do noticiário sensacionalista de um certo canal aberto, naquelas matérias onde eles mostram o precário estado da saúde pública no Brasil, com aquelas pobres pessoas com uma feição desolada, outras em macas, desmaiadas, e outras reclamando com as atendentes da recepção – que, na maioria das vezes, te atendem com má vontade –. Só faltava uma câmera e um bando de técnicos com aqueles microfones presos à um cabo, pendendo acima das câmeras, e repórteres mais maquiadas que as modelos escolhidas para desfilar no São Paulo Fashion Week.

Mas onde eu estava mesmo? Me perdi completamente tentando descrever o local.

Ah sim, ainda estávamos adentrando a sala de espera do hospital particular (que mais parecia público). Após o “procedimento padrão” – selecionar uma opção numa tela touch em uma espécie de terminal, na entrada do hospital, para pegar uma fichinha com uma senha e esperar alguns (muitos) minutos até ser atendido por aquelas atendentes mal-humoradas (e provavelmente pegar todos os tipos de doenças possíveis se não lavar vigorosamente as mãos após tocar naquele troço, já que a tela deste terminal estava tão suja quanto… argh, prefiro nem comentar!) –, nos sentamos nas desconfortáveis cadeiras do hospital, enquanto a super TV de aproximadamente 42 polegadas da sala de espera exibe algo que parece ser o filme “George – O Rei da Floresta” (a imagem estava tão ruim e cheia de riscos que questionei o motivo de a administração do hospital não ter instalado ao menos uma antena parabólica no complexo hospitalar, já que pagaram por uma TV tão super-tecnológica).

Após uns dez ou quinze minutos, finalmente uma atendente mal-humorada de um dos guichês aperta um botão e a nossa senha aparece em um monitor (uma curiosidade: o sonzinho que saía quando uma nova senha aparecia na tela era, surpreendentemente, o da abertura do Windows 7. Hehe). Mamãe vai lá preencher a papelada, já que ainda sou menor de idade e coisa e tal, e esperamos mais uma – longa – hora até que, finalmente, algum médico disponível chama meu lindo e glorioso nome.

Bem, o resto da história vocês só vão saber depois, na próxima parte desta grande – e emocionante – saga by Gabriel Silva (a.k.a. bielboyster). Fui!

Anúncios

2 comentários sobre “Desventuras Hospitalísticas – Parte I

Gostou do que leu? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s