O que vem a ser uma pessoa “da laje”?

Quem me conhece pessoalmente (ou por MSN, tanto faz), deve ter notado que venho utilizando há algum tempo a expressão “da laje” para designar pessoas que têm atitudes nem tão civilizadas e digna de serem criticadas. Uso mais esse termo associado às pessoas que utilizam o Orkut.

Neste blog, só usei a expressão uma vez, mas acho que quem leu o post sobre os cutuques do Facebook deve ter entendido o que quis dizer.

Como estou sem inspiração para um post de outro assunto e não estou a fim de ficar falando de tecnologia neste blog pessoal ou criticando o Orkut, vou tentar explicar para vocês, meus queridos leitores, o que vem a ser uma pessoa “da laje”. A expressão é meio auto-explicativa, mais whatever.

Originalmente, a expressão “da laje” era associada às festas nas lajes de casas em favelas comunidades do Rio de Janeiro. O que é mais ou menos assim:

Pagode na laje. Perceba que essas são as pessoas "da laje" originais, não sendo encaixadas no que quero dizer neste post. Sem mimimi ou retaliação contra mim nos comentários ou pelo Twitter, por favor.

Não adianta negar. Todos nós, brasileiros, sabemos que quem mora em comunidades está mais propício a… como posso dizer isso? Bem, estão mais propícios a não ter um bom estudo ou não aprender o suficiente para se dar bem na vida. Nota: Não existe nenhum tipo de preconceito para com as pessoas que vivem nesses lugares, só estou falando abertamente o que todos nós estamos “carecas” de saber. A política brasileira não é das melhores, então a desigualdade social é extrema. Por isso, quem mora em comunidades no Rio, São Paulo ou em qualquer outro estado, tem muito mais chances de não estudar ou não ter uma educação boa o bastante do que quem mora no centro ou mais perto do coração da cidade, ok?

Onde eu estava? Ah sim.

A imagem logo acima representa o verdadeiro significado de ser uma pessoa “da laje”, que são aquelas que vivem em comunidades brasileiras e que adoram chamar a galera e fazer um churrasquinho ao som de um pagode tocado e cantado em coro por elas mesmas em cima da laje (teto) de suas casinhas, e se divertindo com os parentes e amigos por horas e horas a fio (nunca tinha usado esta expressão na minha vida inteira, sério). Posso dizer que uma pessoa “da laje” nesse sentido aproveita a vida e se diverte bem mais do que eu, que apenas fico postando baboseiras sobre um assunto aleatório qualquer em intervalos de tempo bagunçados num blog nem-tão-conhecido-assim. Além disso, tenho certeza de que se um dia participasse de uma festa numa laje acima de uma casa num morro carioca, ficaria com receio de subir na laje em si; morro de medo de altura.

O que chamo de pessoas “da laje” é totalmente o oposto de toda essa explicação que dei acima e que rendeu mais de 400 palavras. Para mim, ser uma pessoa “da laje” é ser alguém que nunca sabe o que está fazendo (ou falando), tirando sempre conclusões precipitadas a respeito de algo (na maioria das vezes, criticando) e que sempre quer ser melhor do que as outras pessoas, além de ter uma atitude idiota (nem sei porque associei o termo à isso, acho que foi em algum fórum).

É importante mencionar também que a maior parte das pessoas que são consideradas “da laje” encontram-se na Internet. Sabendo disso, ser uma pessoa “da laje”, do meu ponto de vista, é:

Escrever terrivelmente errado e com milhares de abreviações nem mesmo inventadas pelo homem, na Internet

Você deve estar pensando “Ah, Gabriel, você já falou sobre isso num outro post!”. Tudo bem, eu sei. Mas é que isso é uma forte característica de quem é “da laje”. E essa parte aqui nem é igual totalmente à citada no post das 10 coisas que mais odeio na Internet. Ah, não devo satisfações à vocês! 😛

Continuando.

Quantas vezes por dia nos deparamos com frases como aquela que citei no primeiro post deste blog, ou pior? Algo como “amiguxaaaaah! eu ti amuuuuu!! S2 S2 S2! pq naum me add no seu feice?”. Acredite: leio coisas assim todos os dias de minha vida internética (a cada dia, uma nova expressão like a boss. Heh).

O pior dessa “gentinha” é que eles, assim como os antigos imperadores portugueses e espanhóis, decidiram “migrar” pro Facebook, a rede social até então não-orkutizada. E o que acontece? Zilhões de solicitações de joguinhos que eu tenho preguiça de jogar, solicitações de aplicativos “descubra qual personagem do filme Harry Potter é você” ou “você acha que Gabriel consegue ficar dançando em uma balada por três horas consecutivas?” e cutuques.

Não preciso nem falar das abreviações, certo?

Falar absurdamente alto e gesticulando agressivamente. Não podemos nos salvar nem mesmo na vida real!

Tá, agora é uma história verídica. Na última quinta-feira (13/10), minha irmã menor passou mal e lá foi a família toda pro hospital. Meus pais estavam extremamente preocupados com ela, enquanto eu estava tweetando bobagens como “Nossa, que medo de respirar fundo aqui” ou “Hehe, o barulhinho de chamar a senha desse hospital é o de login do Windows 7”. Não acredita? Vai lá no meu Twitter e lê os tweets do dia 13. Só “pérolas” do tipo.

Então.

Estava eu lá, sentado calmamente nas cadeiras super anti-higiênicas (acho que sou muito paranoico com essas coisas; pra você ter ideia, nem encostava meus cotovelos nos apoios) na sala de espera, lendo os tweets sobre o povo que tava com dificuldade de instalar o iOS 5 – que havia sido lançado no dia anterior –, enquanto esperava uma mulher desobstruir a passagem do Álcool Gel.

No meio disso tudo, haviam duas mulheres (novas; deviam ter uns 18 ou 19 anos) conversando estrondosamente alto e gesticulando que nem jornalistas com epilepsia (não, não tem nada a ver com isso), sentadas na fileira de cadeiras anti-higiênicas oposta à que eu estava sentado no meu canto. Fiz uma ilustraçãozinha pra vocês entenderem melhor:

Ilustração digna de prêmio, hehe.

Além disso, as duas estavam comentando, pelo que entendi, sobre coisas que viram na Internet. Com meus ouvidos aguçados, descobri que elas estavam falando daquelas imagens em que aparecem dois objetos como uma fita cassete e uma caneta, contendo uma legenda “Se você consegue compreender a ligação entre esses dois objetos, está ficando velho”. Acho que era essa daqui:

Acho que as duas "da lajeanas" estavam falando sobre isso.

Eu não ligo se as pessoas comentam sobre coisas que viram na Internet na “vida real”. O problema é que num hospital se fala baixo, e gesticular demais causa agonia nos olhos das outras pessoas. Sério.

As pessoas “da laje” estão em todos os lugares. Você com certeza já viu umas duas pessoas assim somente no intervalo de tempo entre hoje à tarde e agora. Elas se concentram principalmente em lugares como: estações de metrô, paradas de ônibus e shoppings, mais precisamente na área de lojas de sapato.

Brincadeiras à parte, peço desculpas caso você se sentiu ofendido com este post. Obrigado por ler até aqui, e até o próximo contato.

Ah, na próxima vez que sair, ligue seu detector de pessoas “da laje” e perceba que tudo que falei aqui é realmente verdade. Sério.

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8 comentários sobre “O que vem a ser uma pessoa “da laje”?

  1. gabriel realmente você tem um grande senso de humor eu ri muito lendo esse post, so acho que vc tem um certo preconceito com as pessoas que morar em comunidades e aqui em brasília tem sim lugares que eu acho que ja estão sendo considerados como comunidades também.

    • Não é só em favelas que existem pessoas “da laje”. Aqui mesmo onde moro não existem favelas também. É que o termo vem das favelas, entende?

      Mas é claro que existem pessoas “da laje” aí, basta prestar atenção. 😛

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